A Surpresa
A surpresa começou a ser preparada
meses antes. Ou pensada. Colocá-la em prática poderia ser a tarefa mais difícil
do que imaginara quando se propusera a oferecer-lhe algo diferente. A
complexidade dependeria de lhe adivinhar os seus gostos. Alguns já a conhecia
sobejamente. Outros, poderia apenas adivinhar. Ou deixar-se levar do modo como
sempre havia acontecido com ela: sem limites. Ultrapassando todas as
fronteiras. Indo para lá de todos os limites imagináveis. A dificuldade seria
sobre se deveria ou não fazer-lhe a surpresa. A verdade é que já há algum tempo
que não contatavam. Talvez tivesse sorte e ela se deixasse levar pelo que ambos
sabiam fazer um ao outro.
Eis que aqui fica. A
surpresa.
Uma
mensagem. Um convite. Ao beijo. Ao desejo. Foi assim que comecei a tentar te seduzir.
O desejo que me inspiras foi algo que nunca desapareceu. Esfria, por vezes, com
a distância. Mas é um fogo que nunca se extingue. A resposta veio. Rápida.
Fugaz. Mas a que eu desejava. Depois dessa, surgiu outra. E mais uma. Até que,
perante a anuência em manter esse contato superficial, mas que não deixava de
ser um contato, te enviei o convite. Poderia dizer que seria um convite para a
toca do lobo. Mas sabia que, no fim, nunca poderia saber qual de nós seria o lobo.
Os dois, com certeza.
O
convite era um jantar a dois, para o qual eu te iria buscar, num qualquer lugar
que te desse jeito. Deverias aceder a vir de olhos vendados para não saberes o
lugar exato onde irias entrar.
Chegou
o dia. O teu aniversário.
Apanhei-te
em sua casa e dei-te um beijo no canto da boca, com um sorriso.
- Preparada?
- Preparada?
- Sim. Aonde vamos? Posso saber? – me perguntava com toda sua ansiedade.
- Não pode… a surpresa sou eu que te faço. Logo sou eu quem decide o quê. Onde. Como. Segura em minhas mãos?
- Não pode… a surpresa sou eu que te faço. Logo sou eu quem decide o quê. Onde. Como. Segura em minhas mãos?
- Gosto de me entregar nas tuas mãos. Para fazeres o que querer de
mim.
- Ótimo – e vendei-te os olhos com um lenço preto.
- Ótimo – e vendei-te os olhos com um lenço preto.
Saímos
dali, em direção ao centro da cidade. O local já estava reservado. Um quarto
num motel relativamente conhecido. A melhor suíte. Porque a noite seria de
surpresas. O caminho foi feito, na sua maior parte, de silêncios. Mas eu
gostava deste silêncio que apenas era quebrado pela respiração mais acelerada
quando sentia a tua mão na minha coxa direita. Ou quando eu levava a minha à
tua virilha e te acariciava, fazendo-te prender a respiração. A excitação era patentes
em nós dois.
Com
reserva feita, apenas tive de ir à recepção e depois fazer a entrada pela
garagem de acesso privado. Foi na garagem que te tirei a venda, assim que te
abri à porta do carro. Beijei-te. Encostaste-me ao carro e apertaste-te de
encontro ao meu corpo. Senti aquela vontade de ti incontrolável. Se não tivesse
tudo preparado ao mínimo detalhe, não teria hesitado, te sentei no capô do
carro e puxar-te de encontro a mim para que me fodesses ali mesmo, ainda antes
de subirmos para continuar no quarto.
A
suíte do motel tinha uma cama enorme redonda, coberta com lençóis de cetim,
negros. A um canto, uma cadeira erótica. Estava desejosa de à usar contigo. De
te levar à loucura nela.
O
fogo corria pelas veias, o tesão era enorme, a vontade de nos termos de
imediato era grande demais. Mas fiz um esforço e levei-te a controlar um pouco.
- Deixaram-nos champanhe. Bebemos? – perguntei-te.
- Deixaram-nos champanhe. Bebemos? – perguntei-te.
Sorriste
e respondeste:
- Fico-me pelos morangos, se deres à boca. O champanhe só se for
servido em ti.
- Não seja por isso.
Peguei
no copo e bebi um gole, encostando os lábios aos teus logo de seguida.
Não permitiste o beijo e disseste:
- Assim não. Eu mostro-te.
Empurraste-me
na direção da cama e, ainda de pé, despiste-me lentamente, beijando cada pedaço
de pele que ias descobrindo. O pescoço, o peito. Beijaste a pele.
- Mas sou eu quem manda… – tentei argumentar.
- Mas sou eu quem manda… – tentei argumentar.
- Neste momento, sou eu.
Continuaste
a despir-me. E a brindar-me com a tua boca. Os teus dedos. As tuas mãos.
Assim que acabaste de me despir deitaste-me na cama e pegaste na garrafa de champanhe. Sorri, adivinhando o que ias fazer. Despejaste um pouco no meu corpo. Lambeste. Mesmo não sendo uma bebida das tuas preferências. Começaste por me beijar o umbigo onde tinhas deitado umas gotas. Sorveste, juntamente com o meu suor. Desceste a boca. Derramaste um pouco de champanhe e lambeste.
Assim que acabaste de me despir deitaste-me na cama e pegaste na garrafa de champanhe. Sorri, adivinhando o que ias fazer. Despejaste um pouco no meu corpo. Lambeste. Mesmo não sendo uma bebida das tuas preferências. Começaste por me beijar o umbigo onde tinhas deitado umas gotas. Sorveste, juntamente com o meu suor. Desceste a boca. Derramaste um pouco de champanhe e lambeste.
- Prefiro o teu sabor. Sem misturas – e, com isto, colocaste a garrafa no chão e dedicaste-te a
lamber-me. Chupar-me. A deixar-me louco.
- Que bem que você me faz. Que
bom sentir a tua boca.
- Quero que te venhas na minha boca. Me beija...
[continua - com um final
imprevisível...]
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