domingo, 20 de maio de 2012

A Surpresa


A Surpresa

 A surpresa começou a ser preparada meses antes. Ou pensada. Colocá-la em prática poderia ser a tarefa mais difícil do que imaginara quando se propusera a oferecer-lhe algo diferente. A complexidade dependeria de lhe adivinhar os seus gostos. Alguns já a conhecia sobejamente. Outros, poderia apenas adivinhar. Ou deixar-se levar do modo como sempre havia acontecido com ela: sem limites. Ultrapassando todas as fronteiras. Indo para lá de todos os limites imagináveis. A dificuldade seria sobre se deveria ou não fazer-lhe a surpresa. A verdade é que já há algum tempo que não contatavam. Talvez tivesse sorte e ela se deixasse levar pelo que ambos sabiam fazer um ao outro.
Eis que aqui fica. A surpresa.
Uma mensagem. Um convite. Ao beijo. Ao desejo. Foi assim que comecei a tentar te seduzir. O desejo que me inspiras foi algo que nunca desapareceu. Esfria, por vezes, com a distância. Mas é um fogo que nunca se extingue. A resposta veio. Rápida. Fugaz. Mas a que eu desejava. Depois dessa, surgiu outra. E mais uma. Até que, perante a anuência em manter esse contato superficial, mas que não deixava de ser um contato, te enviei o convite. Poderia dizer que seria um convite para a toca do lobo. Mas sabia que, no fim, nunca poderia saber qual de nós seria o lobo. Os dois, com certeza.
O convite era um jantar a dois, para o qual eu te iria buscar, num qualquer lugar que te desse jeito. Deverias aceder a vir de olhos vendados para não saberes o lugar exato onde irias entrar.
Chegou o dia. O teu aniversário.
Apanhei-te em sua casa e dei-te um beijo no canto da boca, com um sorriso.
- Preparada?
- Sim. Aonde vamos? Posso saber? – me perguntava com toda sua ansiedade.
- Não pode… a surpresa sou eu que te faço. Logo sou eu quem decide o quê. Onde. Como. Segura em minhas mãos?
- Gosto de me entregar nas tuas mãos. Para fazeres o que querer de mim.
- Ótimo
 – e vendei-te os olhos com um lenço preto.
Saímos dali, em direção ao centro da cidade. O local já estava reservado. Um quarto num motel relativamente conhecido. A melhor suíte. Porque a noite seria de surpresas. O caminho foi feito, na sua maior parte, de silêncios. Mas eu gostava deste silêncio que apenas era quebrado pela respiração mais acelerada quando sentia a tua mão na minha coxa direita. Ou quando eu levava a minha à tua virilha e te acariciava, fazendo-te prender a respiração. A excitação era patentes em nós dois.
Com reserva feita, apenas tive de ir à recepção e depois fazer a entrada pela garagem de acesso privado. Foi na garagem que te tirei a venda, assim que te abri à porta do carro. Beijei-te. Encostaste-me ao carro e apertaste-te de encontro ao meu corpo. Senti aquela vontade de ti incontrolável. Se não tivesse tudo preparado ao mínimo detalhe, não teria hesitado, te sentei no capô do carro e puxar-te de encontro a mim para que me fodesses ali mesmo, ainda antes de subirmos para continuar no quarto.
A suíte do motel tinha uma cama enorme redonda, coberta com lençóis de cetim, negros. A um canto, uma cadeira erótica. Estava desejosa de à usar contigo. De te levar à loucura nela.
O fogo corria pelas veias, o tesão era enorme, a vontade de nos termos de imediato era grande demais. Mas fiz um esforço e levei-te a controlar um pouco.
- Deixaram-nos champanhe. Bebemos? – perguntei-te.
Sorriste e respondeste:
- Fico-me pelos morangos, se deres à boca. O champanhe só se for servido em ti.
- Não seja por isso.
Peguei no copo e bebi um gole, encostando os lábios aos teus logo de seguida.
 Não permitiste o beijo e disseste:
- Assim não. Eu mostro-te.
Empurraste-me na direção da cama e, ainda de pé, despiste-me lentamente, beijando cada pedaço de pele que ias descobrindo. O pescoço, o peito. Beijaste a pele.
- Mas sou eu quem manda… – tentei argumentar.
- Neste momento, sou eu.
Continuaste a despir-me. E a brindar-me com a tua boca. Os teus dedos. As tuas mãos.
Assim que acabaste de me despir deitaste-me na cama e pegaste na garrafa de champanhe. Sorri, adivinhando o que ias fazer. Despejaste um pouco no meu corpo. Lambeste. Mesmo não sendo uma bebida das tuas preferências. Começaste por me beijar o umbigo onde tinhas deitado umas gotas. Sorveste, juntamente com o meu suor. Desceste a boca. Derramaste um pouco de champanhe e lambeste.
- Prefiro o teu sabor. Sem misturas – e, com isto, colocaste a garrafa no chão e dedicaste-te a lamber-me. Chupar-me. A deixar-me louco.
- Que bem que você me faz. Que bom sentir a tua boca.
- Quero que te venhas na minha boca. Me beija...


[continua - com um final imprevisível...]